NEGAÇÃO DO INDIVÍDUO:O LIBERALISMO POLÍTICO

 NEGAÇÃO DO INDIVÍDUO

 

 

 

 

 

 

Segundo Stirner, para esta vertente o indivíduo não é o homem e só adquire a humanidade na comunidade política, no estado, onde são abstraídas todas as distinções individuais.

Portanto, empunhando a bandeira do estado, a burguesia, visando suprimir os estados particulares que impediam o estabelecimento efetivo de uma comunidade verdadeiramente humana, arrebatou os privilégios das mãos dos nobres e os transformou em direitos expressos em leis e garantidos igualmente a todos. De modo que, doravante, nenhum indivíduo vale mais que outro; são todos iguais.

 

No entanto, observa Stirner, esta igualdade reflete negativamente sobre a individualidade, uma vez que os interesses e a personalidade individuais foram alienadas em favor da impessoalidade, dado que o estado, indistintamente, acolhe todos. Isto torna manifesto que o estado não tem nenhuma consideração com os indivíduos particulares, que passam a valer somente enquanto cidadãos. Consequentemente, tem-se a cisão entre as esferas do público e do privado e, na mesma medida em que o indivíduo é relegado em prol do cidadão, a vida privada é renegada, passando-se a considerar como a verdadeira vida a vida pública.

 

 

Esta despersonalização que ocorre na esfera estatal revela, segundo Stirner, o verdadeiro objetivo da burguesia ao buscar a igualdade: conquistar a impessoalidade, isto é, afastar todo e qualquer arbítrio ou entrave pessoal da esfera do estado, purificando-o de todo interesse particular. Portanto, transformou o que outrora era esfera de interesses particulares em esfera de interesses universais.

 

Neste sentido, “a ‘liberdade individual’, sobre a qual o liberalismo burguês vela ciosamente, não significa de modo algum uma autodeterminação totalmente livre, pela qual minhas ações seriam inteiramente Minhas, mas apenas a independência em relação às pessoas. Individualmente livre é quem não é responsável por ninguém”. É, pois, “liberdade ou independência em relação à vontade de outra pessoa /…/, porque ser pessoalmente livre é sê-lo na medida em que ninguém possa dispor de Minha pessoa, ou seja, que o que Eu posso ou não posso não depende da determinação de uma outra pessoa”.

 

A liberdade política, por seu turno, significa tão somente a liberdade do estado em relação a toda mediação de caráter pessoal. De modo que não foram os indivíduos que se emanciparam; ao contrário, foi o estado que se tornou livre para sujeitá-los. E o faz através da constituição, a qual, ao mesmo tempo em que lhes concede força, fixa os limites de suas ações.

De modo que a revolução burguesa criou cidadãos obedientes e leais, que são o que são pela graça do Estado. Portanto, no regime burguês somente “o servidor obediente é o homem livre!”, porque renega seu ser privado para obedecer leis gerais, única razão pela qual são considerados bons cidadãos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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