A LINGUAGEM COMO PRETENSA CIÊNCIA

SARTREVSNIETZSCHE

A significação da linguagem para o desenvolvimento da civilização está em que, nela, o homem colocou um mundo próprio ao lado do outro, um lugar que ele considerou bastante firme para, apoiado nele, deslocar o restante do mundo de seus gonzos e tornar-se senhor dele. Na medida em que o homem acreditou, por longos lances de tempo, nos conceitos e nomes das coisas como em aeternae veritates, adquiriu aquele orgulho com que se elevou acima do animal: pensava ter efetivamente, na linguagem, o conhecimento do mundo.


O formador da linguagem não era tão modesto de acreditar que dava às coisas, justamente, apenas designações; mas antes, ao que supunha, exprimia com as palavras o supremo saber sobre as coisas; de fato, a linguagem é o primeiro grau do esforço em direção à ciência. Foi da crença na verdade encontrada, também aqui, que fluíram as mais poderosas fontes de força.
Muito posteriormente – só agora – começa a despontar para os homens que eles propagaram um erro descomunal, em sua crença na linguagem.
Felizmente é tarde demais para fazer voltar atrás o desenvolvimento da razão, que repousa sobre essa crença. – Mesmo a l6gica repousa sobre pressupostos, aos quais nada no mundo efetivo corresponde, por exemplo, sobre o pressuposto da igualdade entre coisas, da identidade da mesma coisa em diferentes pontos do tempo: mas essa ciência surgiu pela crença no oposto (que certamente há algo assim no mundo efetivo).
O mesmo se dá com a matemátiCil, que com toda certeza não teria surgido se desde o começo se tivesse sabido que na natureza não há nenhuma linha exatamente reta, nenhum circulo efetivo, nenhuma medida absoluta de grandeza.

 

 

 

 

 

 

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